REVIMO esclarece polémica sobre reabilitação de 8 km da EN1 entre KaTembe e Ponta do Ouro

REVIMO esclarece polémica sobre reabilitação de 8 km da EN1 entre KaTembe e Ponta do Ouro

A Rede Viária de Moçambique (REVIMO) veio a público rejeitar as alegações de que a reabilitação de um troço de aproximadamente 8 quilómetros da Estrada Nacional nº 1 (EN1), entre KaTembe e Ponta do Ouro, teria como objectivo “desviar fundos” para fins obscuros.

A polémica surgiu depois de alguns utentes questionarem a necessidade da intervenção, argumentando que o troço ainda apresentava condições razoáveis de circulação.

Segundo a REVIMO, porém, a decisão de avançar com as obras foi baseada em avaliações e vistorias técnicas, que identificaram problemas estruturais no pavimento, incluindo assentamentos, deformações, fissuras e outras patologias que afectavam a segurança, o conforto dos automobilistas e a qualidade da circulação.

A empreitada, iniciada em Janeiro de 2026, representa um investimento estimado em 690 milhões de meticais. Os trabalhos começaram no quilómetro 20, na zona de KaElisa, em direcção à Ponta do Ouro, estando a conclusão prevista para Novembro de 2026.

Auditorias e ensaios técnicos

A REVIMO afirma que os problemas identificados foram inicialmente apontados numa auditoria técnica independente realizada em 2022 pela Técnica Engenheiros Consultores.

Posteriormente, em 2023, foram realizados ensaios através do método Falling Weight Deflectometer (FWD), utilizado para avaliar o comportamento estrutural e a capacidade do pavimento.

A empresa explica ainda que algumas zonas do percurso são caracterizadas por solos pantanosos, situação que, combinada com a circulação frequente de veículos pesados, contribui para o aparecimento de deformações permanentes.

Entre os problemas observados estavam também rodeiras e fissuras semelhantes a “pele de crocodilo”, segundo a empresa.

Não se trata apenas de colocar novo asfalto

De acordo com a REVIMO, a intervenção é de carácter estrutural, e não uma simples substituição da camada superficial de asfalto.

O projecto prevê a reciclagem do pavimento existente, estabilização das camadas com cimento, construção de novas bases, aplicação de betão betuminoso, execução da camada de desgaste e instalação da sinalização horizontal.

A empresa afirma que a intervenção pretende aumentar a resistência da estrada ao tráfego pesado, reduzir deformações, melhorar a segurança e o conforto dos utentes e prolongar a vida útil da infra-estrutura.

Até à data da explicação, a execução da obra encontrava-se acima dos 50%.

Obras vão provocar constrangimentos

Durante a execução dos trabalhos, os automobilistas poderão enfrentar algumas limitações temporárias, incluindo redução da velocidade, circulação alternada e outras medidas de gestão do tráfego.

A REVIMO justifica estas medidas com a necessidade de garantir a segurança dos utentes e das equipas que trabalham no local, mantendo simultaneamente a circulação na estrada.

A questão que fica para o público

A explicação técnica da REVIMO procura responder às dúvidas levantadas sobre a necessidade da obra. No entanto, num projecto avaliado em 690 milhões de meticais, é legítimo que os cidadãos continuem a exigir transparência, fiscalização e prestação de contas.

Uma obra pública ou concessionada deve ser avaliada não apenas pelo seu custo, mas também pela qualidade dos trabalhos, pelos resultados alcançados e pela forma como os recursos são utilizados.

Mais do que acusações ou especulações, Moçambique precisa de documentos, auditorias, fiscalização e resultados visíveis.

O cidadão tem o direito de perguntar: por que razão a obra foi necessária, quanto está a ser gasto, quem fiscaliza e se os trabalhos correspondem efectivamente ao valor investido?

A transparência deve acompanhar cada metical aplicado numa infra-estrutura pública.

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