O presidente do PODEMOS, Albino Forquilha, afirmou que estará presente no julgamento de Venâncio Mondlane (VM7), na qualidade de declarante, para apresentar aquilo que presenciou e também o que não viu durante os acontecimentos relacionados com as manifestações pós-eleitorais.
A declaração foi feita ontem, à margem de uma formação dirigida aos deputados da bancada parlamentar do partido, quando Forquilha foi questionado pelos jornalistas sobre a possibilidade de apoiar Mondlane no processo judicial que já tem julgamento marcado pelo Tribunal Supremo.
Segundo o presidente do PODEMOS, trata-se de um processo judicial e, por isso, considera difícil falar neste momento sobre um eventual apoio ao político.
“Se eu tiver uma prova da sua inocência, eu vou entregar. Eu estarei lá presente como declarante para dizer aquilo que vi e aquilo que não vi.”
Forquilha explicou ainda que também foi notificado para comparecer no julgamento, deixando em aberto a questão de saber se a sua presença poderá ser entendida como uma forma de apoio a Venâncio Mondlane.
“Se será apoio ou não? Não sei. Mas nesse julgamento eu estarei presente, também fui notificado”, afirmou.
“Venâncio vai responder como todos respondem”
Albino Forquilha lembrou que existem outros cidadãos moçambicanos detidos e a responder perante a Justiça na sequência das manifestações, defendendo que Mondlane deverá igualmente responder pelas acusações que lhe são imputadas.
“Há muitos moçambicanos presos a responder pelas manifestações e, portanto, o Venâncio, se foi também chamado neste momento, vai também responder, como todos respondem, e ali se prova ou não a sua inocência.”
Acusações contra Venâncio Mondlane
Segundo o despacho de acusação a que a Lusa teve acesso, a acusação assenta, em grande parte, nos apelos feitos por Venâncio Mondlane através de transmissões em direto nas redes sociais, incluindo mobilização para protestos, greves, paralisações e contestação.
O Ministério Público imputa ao político crimes de apologia pública ao crime, incitamento à desobediência coletiva, instigação pública à prática de crime, instigação ao terrorismo e incitamento ao terrorismo.
De acordo com a informação divulgada, a moldura penal associada às acusações poderá ultrapassar 20 anos de prisão efetiva.
O Conselho de Estado de Moçambique suspendeu a imunidade de Venâncio Mondlane, permitindo a continuidade do processo-crime.
Com o julgamento marcado, a presença de Albino Forquilha como declarante poderá acrescentar novos elementos ao processo, sobretudo através do seu relato sobre aquilo que afirma ter presenciado durante os acontecimentos.
Fonte: Lusa / TV Sucesso
