O activista Adriano Vunga criticou o nível de utilização do Aeroporto Filipe Jacinto Nyusi, localizado no distrito de Chongoene, província de Gaza, e defendeu que a infraestrutura passe a chamar-se Aeroporto de Chongoene, em vez de manter o nome do antigo Presidente da República.
Durante uma visita realizada no domingo, 18 de Outubro de 2026, Vunga descreveu o empreendimento como um “elefante branco”, expressão utilizada para caracterizar uma infraestrutura de grande dimensão que, na sua avaliação, não está a produzir os benefícios esperados em relação aos recursos investidos.
Na sua intervenção, o activista questionou as prioridades de investimento público em Moçambique, argumentando que a província de Gaza continua a enfrentar dificuldades na ligação rodoviária entre vários distritos, apesar do seu potencial agrícola.
Entre as necessidades destacadas, mencionou a reabilitação das estradas que ligam Chibuto à Estrada Nacional Número 1 (EN1), bem como a melhoria das vias de acesso a Macuácua e a outras zonas do interior da província. Segundo Vunga, a falta de estradas em boas condições dificulta a circulação de pessoas, o transporte de mercadorias e o escoamento da produção agrícola.
O custo e a utilização do aeroporto também estiveram no centro das críticas. Vunga afirmou que mais de 100 milhões de dólares terão sido gastos na construção da infraestrutura e questionou os encargos financeiros associados ao empreendimento.
No entanto, informações divulgadas pelas autoridades moçambicanas aquando da inauguração, em Novembro de 2021, apontavam para um investimento de cerca de 60,3 milhões de dólares, financiado através de um donativo do Governo chinês. O valor superior a 100 milhões de dólares mencionado pelo activista necessita de confirmação documental.
Vunga afirmou ainda que o aeroporto apresenta sinais de subutilização e recordou que a infraestrutura terá sido utilizada pontualmente para apoiar a deslocação de pessoas durante períodos de cheias, quando as ligações rodoviárias ficam interrompidas.
Um dos principais pontos da intervenção foi a proposta de alteração do nome da infraestrutura. O activista defende que o aeroporto passe a chamar-se Aeroporto de Chongoene, argumentando que a designação deve seguir uma referência geográfica, à semelhança do que acontece com outros aeroportos do país.
Na sua perspectiva, cabe às autoridades da província de Gaza e à Assembleia Provincial discutir a proposta e avaliar a possibilidade de corrigir o que considera uma decisão inadequada do passado. Vunga esclareceu, na sua argumentação, que a mudança do nome não é apresentada como a causa directa da baixa utilização do aeroporto.
Durante a mesma intervenção, o activista alargou as críticas à gestão dos recursos públicos, comparando o período da presidência de Filipe Nyusi com a actual governação. Na sua avaliação, os investimentos do Estado devem produzir benefícios concretos para a população, sobretudo através de infraestruturas capazes de melhorar as condições de vida e estimular a actividade económica.
A discussão levanta questões sobre o aproveitamento do Aeroporto de Chongoene, os custos de manutenção, o número de passageiros transportados e o contributo efectivo da infraestrutura para o desenvolvimento económico e turístico da província de Gaza.
Com a proposta de mudança da designação para Aeroporto de Chongoene, Adriano Vunga desafia as autoridades provinciais a debaterem não apenas o nome da infraestrutura, mas também a sua utilização e o papel que deve desempenhar no desenvolvimento da região.
O desafio continua a ser transformar o investimento público em resultados concretos para a população. A avaliação do desempenho do aeroporto exige dados actualizados sobre a sua operação, os custos de funcionamento e os benefícios económicos gerados.
