PELAS MANIFESTAÇÕES VAMOS JURRAR SANGUE

Uma declaração feita pelo Presidente da República, Daniel Chapo, voltou a provocar fortes reações e questionamentos entre os moçambicanos.

A frase “mesmo se for para jorrarmos sangue para defender esta pátria contra as manifestações, vamos jorrar sangue” foi proferida pelo Chefe de Estado durante um comício realizado em Pemba, província de Cabo Delgado, no dia 24 de Fevereiro de 2025.

Naquele momento, Daniel Chapo falava sobre o combate ao terrorismo, aos naparamas e às manifestações que ocorriam no país, colocando os três fenómenos no mesmo contexto do discurso.

“Mesmo se for para jorrarmos sangue para defender esta pátria contra as manifestações, vamos jorrar sangue.”

Uma frase que deixou marcas

A expressão rapidamente ultrapassou o espaço do comício e passou a dominar o debate público. Para muitos cidadãos e observadores, ouvir um Chefe de Estado falar em “jorrar sangue” num período marcado por tensão política e manifestações levantou uma pergunta difícil: que caminho deveria seguir Moçambique diante de uma sociedade já profundamente dividida?

O impacto da declaração foi agravado pelo contexto de tensão social vivido no país. A frase foi interpretada por críticos do Governo como uma mensagem de confronto, enquanto o próprio Presidente posteriormente procurou esclarecer que as suas palavras estavam relacionadas com manifestações que considerava violentas, ilegais e criminosas.

O esclarecimento do Presidente

No dia seguinte, Daniel Chapo afirmou que as suas palavras tinham sido retiradas do contexto com o objectivo de manipular a opinião pública. O Presidente explicou que se referia às manifestações que, segundo ele, envolviam violência, roubos, saques e destruição de bens.

Chapo distinguiu essas manifestações das manifestações pacíficas previstas na Constituição e na legislação moçambicana.

Entre o medo e a necessidade de diálogo

Independentemente da interpretação política, a expressão continua a provocar inquietação sempre que volta a circular nas redes sociais. Num país que já enfrentou episódios de violência e perdas humanas durante o período de protestos, palavras relacionadas com derramamento de sangue carregam um peso particularmente sensível.

O debate que permanece é maior do que uma simples frase: como construir paz, confiança e estabilidade quando parte da sociedade exige respostas e outra parte teme que o confronto substitua o diálogo?

A declaração de Daniel Chapo tornou-se, assim, um dos momentos mais discutidos do seu primeiro período na Presidência da República, continuando a ser recuperada sempre que o debate sobre manifestações, segurança, direitos dos cidadãos e uso da força volta ao centro da discussão nacional.

Nota: A declaração citada neste artigo foi feita em Fevereiro de 2025. Está republicação deve ser entendida como contextualização de uma declaração que voltou a circular, e não como uma nova declaração feita pelo Presidente em Setembro de 2026.

Fontes consultadas: Lusa, Observador, VOA e Evidências.

Postagem Anterior Próxima Postagem