É com profunda tristeza que muitos moçambicanos acompanham, nos últimos dias, notícias de mortes envolvendo pessoas ligadas a forças políticas da oposição.
Ilídio Facitela Gustavo, mobilizador da ANAMOLA em Morrumbene, foi dado como raptado e posteriormente encontrado morto em Homoíne. Segundo a ANAMOLA, fazia parte das testemunhas arroladas no processo de Venâncio Mondlane no Tribunal Supremo.
Poucos dias depois, a RENAMO denunciou a morte a tiro do brigadeiro Pensado Alfinete, em Inhaminga, província de Sofala, também membro daquela formação política. As circunstâncias da morte permanecem por esclarecer e a RENAMO exige uma investigação.
Diante desta sequência de acontecimentos, é compreensível que surjam perguntas e preocupação entre os cidadãos: por que tantas mortes envolvendo pessoas ligadas à oposição? Será apenas coincidência?
Não cabe à sociedade apontar culpados sem uma investigação séria e baseada em provas. Mas também não podemos tratar mortes de cidadãos ligados à actividade política como acontecimentos banais.
Cada vida perdida deixa uma família de luto, uma comunidade com medo e uma democracia com perguntas sem resposta.
🇲🇿 Moçambique precisa de verdade, justiça e investigações credíveis.
Nenhum partido, nenhuma ideologia e nenhuma divergência política pode valer mais do que uma vida humana.
O silêncio diante de mortes não esclarecidas apenas aumenta a desconfiança. Os moçambicanos merecem saber o que aconteceu, quem foi responsável e, sobretudo, sentir que participar na vida política do país não significa colocar a própria vida em risco.
QUE A JUSTIÇA FALE ANTES QUE A VIOLÊNCIA VOLTE A FALAR.
Moçambique merece paz — mas uma paz acompanhada de verdade, justiça e respeito pela vida humana.
